“Quero traçar uma visão de pregação que se alimenta da própria essência de Deus, da glória de sua Palavra e do poder do evangelho”, escreve Michael Reeves.
Pregadores são embaixadores de Cristo e arautos de Deus, apresentando Jesus para que seus ouvintes confiem nele, o adorem e o amem.
Este é um chamado elevado, e para tanto precisamos de clareza e de grande encorajamento. Que este livro eleve sua perspectiva e o inspire a pregar com uma intrepidez e júbilo santos. A escuridão espiritual de nosso tempo pode, de fato, ser revertida.
- ISBN: 9786587860831
- Acabamento: Brochura
- Páginas: 84
- Edição: 2026
- Autor: Michael Reeves
APRESENTAÇÃO
Sinclair B. Ferguson
Se eu fosse descrever este livro dizendo que ele cumpre o que promete e que faz isso sem rodeios, esse seria de fato um grande elogio. Você o leria. E, uma vez que o fizesse, se for um pouco como eu, sentiria vontade de lê-lo de novo, porque ele realmente cumpre o que promete indo direto ao ponto.
Livros sobre pregação variam não só em qualidade, mas também em propósito e função. Alguns são escritos para oferecer instruções sobre a mecânica — hermenêutica básica, princípios de boa comunicação e assim por diante. Isso é essencial, já que, afinal de contas, fomos criados à imagem de Deus, e nossa mente foi projetada para funcionar melhor de certas maneiras. O Espírito — ao contrário de alguns de nossos sermões — não é autor de confusão!
Outros clássicos combinam aconselhamento prático com encorajamento, estímulo e até histórias. Penso aqui na mistura de diversão e prazer que senti ao ler uma antiga edição de Lições aos meus alunos de Spurgeon, com suas ilustrações mostrando posturas de pregação (a posição do “pinguim”!) e gestos (linhas pontilhadas indicando movimentos das mãos e braços para a recitação do poema The Boy Stood on the Burning Deck, de Felicia Hemans). Quando somado ao humor de Spurgeon, sua enorme sabedoria prática e paixão por Cristo, tal livro revigora pregadores que estão nas trincheiras; ele transforma o aprendizado que nos faz crescer como pregador em um privilégio e alegria.
Podemos pensar também no impacto do clássico do século XX de Martyn Lloyd-Jones, Pregação e pregadores. Há só umas poucas orientações práticas em suas páginas sobre a mecânica da preparação do sermão. Mas seria difícil não ser profundamente motivado a pregar melhor após sua leitura.
Pregação: Uma visão teocêntrica segue esta grande tradição, mesmo sendo muito mais modesto em extensão. Não se deixe enganar pela brevidade. Algumas coisas — ou visões, se preferir — que captamos num relance podem nos transformar e fixar-se em nossa vida. E, conforme Mike Reeves argumenta aqui, conquanto aprender a mecânica da pregação não seja irrelevante, a necessidade suprema é ter uma compreensão profunda do que é a verdadeira pregação, onde estão seus fundamentos, qual é o seu propósito e o que ela opera sob a direção de Deus. Isso — e não apenas as habilidades básicas de interpretação de um texto — é o que confere à pregação verdadeira sua atmosfera e poder, trazendo consciência da presença de Deus ao que prega e aos que ouvem.
Tal pregação se alinha com o desideratum apostólico: a voz de Cristo, o verdadeiro Profeta em sua igreja, falando por meio dos homens de forma a revelar tanto as Escrituras quanto os corações (2Co 4.2; Hb 4.12-13). Isso é o que leva à revelação de segredos escondidos — talvez até de nós mesmos —, é o que nos deixa prostrados (pelo menos espiritualmente) e culmina na adoração a Deus através do reconhecimento de sua presença entre o seu povo (1Co 14.24-25).
Esse é o tipo de pregação de que precisamos. Como Jonathan Edwards reconheceu, embora — ou justamente porque — fosse um homem de intelecto gigantesco, “nosso povo não precisa tanto de ter sua mente recheada quanto de ter seus corações tocados; e precisa desesperadamente daquele tipo de pregação que mais tende a fazer isso”.[1] Essa elevação de nossos afetos ao Deus triúno é agora o objetivo final da pregação, pois será a experiência final de glória por vir. E o que é, ao mesmo tempo, tão emocionante e desafiador sobre esse tipo de pregação — como Mike Reeves demonstra maravilhosamente nas primeiras páginas deste livro — é que tudo isso está enraizado e fundamentado em Deus, na vida íntima do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Em uma passagem famosa nas Institutas da religião cristã, João Calvino ecoa os comentários de Agostinho sobre a afirmação do orador grego Demóstenes de que o principal preceito da eloquência era a “expressão”, sendo esse também o segundo e o terceiro. “Assim”, escreve Calvino, “se me perguntares sobre o preceito da religião cristã, por primeiro, segundo e terceiro, também sempre quererei responder: a humildade.”[2] Nessa mesma toada, se formos questionados sobre o cerne da pregação, deveríamos responder: “Primeiro, segundo e sempre: ‘Cristo, o caminho ao Pai através do Espírito’”. Pois ele é, em si, o Logos, o Sermo — o sermão — falado pelo Pai; é aquele que, pelo Espírito, é, em si mesmo, o próprio Pregador.[3] E, em consonância com a visão paulina, ele é o que é pregado (Cl 1.28).
Todo pregador que segue a tradição dos profetas até João Batista e dos apóstolos até Paulo de Tarso deve começar com o dedo sobre o texto da Escritura. Mas esse dedo deve ser erguido junto com a voz para proclamar: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). No final das contas — e antes do fim do sermão —, o pregador precisa mostrar-se não apenas um biblicista, mas também um personalista. De nada adianta pesquisar e explicar as Escrituras como se por elas se pudesse obter a vida eterna, sem oferecer o próprio Cristo para que as pessoas possam ter vida (Jo 5.39-40).
Tudo isso e mais é muito bem dito por Mike Reeves. Pregação: Uma visão teocêntrica é realmente multum in parvo, muito em pouco. A brevidade deste livro pode fazer você lamentar quando virar a última página, desejando por mais. Mas creio que, ao mesmo tempo, sentirá que já foi instruído e grandemente beneficiado. E talvez já tenha começado a orar para que aquilo que você leu se torne mais real em sua própria pregação, ou na pregação que você ouve regularmente.
Essa foi minha experiência ao ler estas páginas. Espero que seja a sua também.
