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Deus oculto no canto do córner

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Marca: Editora Monergismo Referência: 420
EAN: 9786561230148
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Milton Gustavo dá voz a um velho cínico — uma das vozes mais marcantes da ficção recente — cuja sinceridade fere, diverte e redime; um treinador que crê na capacidade humana de controlar o futuro por meio do trabalho e da vontade.

Num mundo onde a Providência age discretamente entre empresários corruptos, ídolos decadentes e golpes baixos, surge Zezão, um campeão improvável, que é mais que um pugilista: é o anti-herói de uma epopeia nacional às avessas, um retrato vivo da alma brasileira, oscilando entre o riso e a ruína, a gambiarra e a glória.

Ao evocar os anos noventa com precisão e irreverência, sem concessões ao politicamente correto, este clássico em formação entrelaça humor mordaz, memória inventada e crítica feroz ao nosso tempo.

Semifinalista do Jabuti, saudada por críticos como “absolutamente excepcional” e comparada à prosa de Nelson Rodrigues e Rubem Fonseca, O Deus oculto no canto do córner, revigorada em segunda edição, é um raro exemplo de narrativa que une fôlego literário, sátira corajosa e um aceno redentor à alma brasileira.

  • ISBN: 9786561230148
  • Acabamento: Brochura
  • Páginas: 184
  • Edição: 2025
  • Autor: Milton Gustavo

Há muitos escritores que — talvez interpretando descuidadamente a célebre metáfora de Cortázar segundo a qual o conto vence o leitor por nocaute, ao passo que o romance, por sua transpirada extensão, o vence sempre por pontos — ignoram o fato de que, embora menos espetacular, a vitória obtida pela resiliência, contundência e movimentação implica, em última análise, se não uma dominância sobre o oponente (o leitor), ao menos uma maior capacidade estratégica; afinal, o romance é a arte da acumulação. Em seu romance de estreia, Milton Gustavo, trazendo para a linguagem a incisividade do boxe, como já o fizeram um Rubem Fonseca e um Hemingway, nos oferece uma narrativa ágil e enérgica, na qual os meandros e nichos de nossas vidas confluem, por meio da voz intensa e cômica de um treinador, com os obscuros ângulos de uma arena, para além dos holofotes.

 

Fabrício Tavares de Moraes
Autor de À sombra da modernidade

 

 

Milton Gustavo lança mão, despudorada e habilmente, de um clichê muito explorado nos cinemas: um treinador ranzinza descobre um jovem talento, de bom coração, mas embrutecido. Esse jovem, um lutador, é tirado à sua caverna e nasce um campeão, que se torna autoconfiante, colhe os louros e revigora a vida do próprio treinador. Diria ainda que teve uma trajetória de humanização análoga a de Pinóquio, que começou como um boneco de pedra, talhado e humanizado pelo treinador, que seria o seu Gepetto, e pelas circunstâncias adversas inerentes à fama.  Os ditos clichês, porém, são uma isca que conduz o leitor pelo meandros de um romance de formação, em paralelo com a restauração revigorante da linguagem e cultura dos anos noventa, passando pela relação com empresários e patrocinadores, ícones do esporte, flertes perigosos, conspirações mafiosas, considerações desairosamente hilárias sobre outros esportes, além de intervenções misteriosas não de um deus ex machina, e sim do inusitado da Providência, uma presença tão discreta quanto determinante dessa história exemplar.

— Jessé de Almeida Primo
Crítico literário

 

 

A literatura brasileira contemporânea sofre de irrealidade: nem os autores acreditam na existência dos seus personagens. O Milton Gustavo acredita nos personagens de O Deus oculto no canto do córner, e o resultado disso é que o leitor acredita também. O velho treinador, o lutador e até mesmo os personagens secundários são todos muito vívidos, e os episódios ficam marcados na mente do leitor (bom, deste leitor pelo menos, mas imagino que de todos) como se fossem memórias de coisas que aconteceram na sua própria vida.

Alexandre Soares Silva
Autor de A humanidade é uma gorda dançando num banquinho

 

Que belíssimo romance é O Deus oculto no canto do córner, semifinalista do Jabuti deste ano: ao contar a trajetória do seu boxeador, Milton Gustavo conseguiu criar um dos melhores personagens e narradores em primeira pessoa dos últimos tempos — o treinador velha-guarda-ranzinza-de-Monza —, sob uma extraordinária representação estilística da linguagem falada. A coragem de não fazer concessões ao politicamente correto ajuda bastante, com certeza.

Rodrigo Duarte Garcia
Autor de Os invernos da ilha